Abre em uma nova aba

Diarreia: causas, exames de fezes e quando se preocupar

Índice

Pessoa com a mão na parte de baixo da barriga, tubos de exame de fezes e um copo de soro de reidratação oral

⚕️ Este artigo tem caráter meramente informativo e não substitui a consulta médica. Consulte sempre o seu médico para interpretar os seus resultados.

Diarreia é evacuar fezes moles ou líquidas três ou mais vezes por dia, ou com mais frequência do que o normal para você. A maioria dos episódios é aguda: vem de um vírus intestinal, de uma intoxicação alimentar ou de um remédio, dura menos de uma semana e passa sozinha. A primeira tarefa não é parar a diarreia a qualquer custo. É repor a água e os sais que você está perdendo.

A duração diz muito. A diarreia que dura de 2 a 4 semanas é chamada persistente, e a que dura pelo menos 4 semanas é crônica. A diarreia crônica atinge cerca de 6% a 7% dos adultos nos Estados Unidos, e mais de 90% desses casos não são causados por infecção. Síndrome do intestino irritável, doença celíaca, diarreia por ácidos biliares, colite microscópica e doença inflamatória intestinal lideram a lista.

A seguir: as causas, como parar a diarreia com segurança, os sinais de alerta e os exames de fezes e de sangue que encontram a causa, com seus valores.

Pontos principais

  • A maioria das diarreias agudas é viral, sobretudo por norovírus, e melhora em 1 a 3 dias.
  • O soro de reidratação oral vem primeiro; a loperamida ou o bismuto ajudam a maioria dos adultos, mas não quando há sangue ou febre.
  • Procure um médico após 2 dias (1 dia para uma criança), ou se houver 6 ou mais evacuações por dia, sangue, febre alta ou desidratação.
  • A diarreia persistente ou crônica merece exames de fezes e de sangue: painel PCR, C. difficile, calprotectina, antitransglutaminase IgA, eletrólitos.
  • Uma calprotectina fecal de 40 µg/g ou menos torna a doença inflamatória intestinal muito improvável.

O que é diarreia?

O Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos Estados Unidos (NIDDK) define diarreia como fezes moles e aquosas três ou mais vezes por dia, ou com mais frequência do que o normal para você. Na escala de Bristol, os tipos 6 e 7 (pastosas ou totalmente líquidas) contam como diarreia; nosso guia sobre a consistência das fezes e a escala de Bristol mostra cada tipo.

Os médicos classificam a diarreia pela duração:

  • Diarreia aguda: em geral menos de uma semana, muitas vezes 1 a 3 dias. Os americanos têm cerca de um episódio por ano.
  • Diarreia persistente: mais de 2 semanas, mas menos de 4. Os parasitas ficam mais prováveis.
  • Diarreia crônica: pelo menos 4 semanas. A infecção passa a ser rara.

O tipo de fezes também ajuda. Fezes aquosas sugerem um vírus ou uma toxina, diarreia com sangue e febre (disenteria) uma bactéria invasiva, e fezes gordurosas que boiam uma má absorção de gordura, como explica nosso artigo sobre fezes gordurosas.

O que causa diarreia?

Infecções: a principal causa da diarreia aguda

O norovírus é a principal causa de vômito e diarreia, e de doenças transmitidas por alimentos, nos Estados Unidos. O CDC estima 19 a 21 milhões de casos, 109.000 internações e cerca de 900 mortes por ano, sobretudo em adultos com 65 anos ou mais. Os sintomas começam 12 a 48 horas após a exposição e costumam durar 1 a 3 dias.

As bactérias causam a maioria dos casos de diarreia com sangue ou "explosiva" com febre: Salmonella, Campylobacter, Shigella e E. coli produtora de toxina Shiga. Parasitas como Giardia e Cyclospora causam uma diarreia que se arrasta por semanas; leia nosso artigo sobre o exame de fezes para Cyclospora se você comeu verduras importadas ou viajou recentemente.

A diarreia do viajante atinge 30% a 70% dos viajantes durante uma viagem de 2 semanas, sobretudo pela E. coli enterotoxigênica (ETEC).

O Clostridioides difficile (C. diff) causa quase meio milhão de infecções por ano nos Estados Unidos. O risco é até 10 vezes maior durante o uso de antibiótico, continua alto por um mês depois e aumenta após os 65 anos.

Remédios e alimentação

Antibióticos, metformina, antiácidos com magnésio, laxantes e alguns quimioterápicos costumam causar diarreia, assim como os polióis (sorbitol, manitol), o excesso de frutose, a cafeína e o álcool. Os hábitos alimentares também contam, como mostra nosso artigo sobre diarreia depois do jejum, e as variações hormonais explicam a diarreia durante a menstruação.

Causas crônicas não infecciosas

Uma revisão do JAMA de 2026 lista as causas mais comuns de diarreia crônica que não se deve a infecção:

  • Síndrome do intestino irritável com diarreia (SII-D): dor abdominal recorrente ligada às evacuações. Nosso guia da síndrome do intestino irritável aborda sintomas e exames.
  • Diarreia funcional: mais de 25% das evacuações moles ou aquosas ao longo de 3 meses, sem dor importante.
  • Doença celíaca: reação autoimune ao glúten que danifica o intestino delgado, muitas vezes com perda de peso.
  • Diarreia por ácidos biliares: ácidos biliares em excesso chegam ao cólon e puxam água para ele, causando evacuações frequentes e urgentes.
  • Colite microscópica: inflamação vista apenas ao microscópio; atinge 13% das pessoas com diarreia crônica.
  • Doença inflamatória intestinal: doença de Crohn e retocolite ulcerativa, muitas vezes com sangue, evacuações noturnas ou perda de peso.

Outras causas incluem o supercrescimento bacteriano no intestino delgado, a intolerância à lactose, a insuficiência pancreática (enzimas digestivas insuficientes), o hipertireoidismo e, com menos frequência, o câncer colorretal.

Sintomas e sinais de alerta da diarreia

Cólicas, inchaço, urgência e náusea são comuns. O verdadeiro perigo é a desidratação. O NIDDK lista estes sinais em adultos:

  • sede intensa ou boca seca;
  • urinar menos do que o normal, urina escura;
  • cansaço, tontura ou sensação de desmaio;
  • pele que não volta rápido ao lugar quando beliscada;
  • olhos ou bochechas fundos.

Em bebês e crianças pequenas, observe também fralda seca por 3 horas ou mais, choro sem lágrimas, moleira afundada e sonolência. A desidratação também pode baixar a pressão e provocar desmaio ao ficar de pé, como explica nosso artigo sobre desidratação e pressão arterial.

Sinais de alerta que exigem atendimento rápido incluem fezes pretas e pegajosas (melena), sangue vivo ou pus nas fezes, dor forte na barriga ou no reto, vômitos frequentes e febre alta. Na diarreia crônica, a revisão do JAMA de 2026 acrescenta perda de peso sem explicação, diarreia noturna, fezes gordurosas, anemia por falta de ferro e idade de 45 anos ou mais como motivos para uma colonoscopia.

Diagnóstico: exames de fezes, de sangue e outros

A maioria das diarreias agudas não precisa de nenhum exame. A diretriz do ACG de 2016 sobre infecções diarreicas agudas recomenda o exame de fezes sobretudo quando há disenteria (sangue e febre), doença moderada a grave ou sintomas por mais de 7 dias. Depois de 2 semanas, os exames se tornam úteis; nosso artigo sobre quais exames de fezes fazer na diarreia persistente dá os detalhes.

Exames de fezes

  • Painéis de PCR multiplex: uma só amostra pesquisa cerca de 20 germes em poucas horas, mas também pode detectar germes que você carrega sem estar doente.
  • Pesquisa de C. difficile: PCR ou pesquisa de toxina, feita só com 3 ou mais evacuações não formadas em 24 horas, sobretudo após antibióticos.
  • Coprocultura: cultiva a bactéria para testar antibióticos; veja nosso guia sobre a coprocultura.
  • Parasitológico de fezes: exame ao microscópio, útil após viagens ou consumo de água de poço. Leia como interpretar um parasitológico de fezes.
  • Calprotectina fecal (ou lactoferrina): uma proteína dos glóbulos brancos que sobe com a inflamação intestinal; veja nosso artigo sobre a calprotectina fecal.
  • Elastase fecal: uma enzima do pâncreas; um valor baixo aponta para insuficiência pancreática.
  • Pesquisa de sangue oculto imunoquímica (FIT): detecta sangue escondido; é um exame de rastreamento do câncer de intestino, não um exame de diarreia.

Exames de sangue

  • Hemograma completo: anemia, glóbulos brancos altos na infecção ou na inflamação. Veja nosso guia do hemograma completo.
  • Eletrólitos: sódio, potássio, cloro e bicarbonato caem quando se perde muita água nas fezes. Nosso artigo sobre o painel de eletrólitos explica cada valor.
  • Creatinina e ureia: sobem quando a desidratação reduz o fluxo de sangue para os rins.
  • Antitransglutaminase IgA com IgA total: o exame de triagem da doença celíaca, feito enquanto você ainda come glúten.
  • TSH: um TSH baixo pode revelar um hipertireoidismo que acelera o intestino.
  • Proteína C-reativa, ferritina, albumina: pistas de inflamação, perda de ferro e má absorção.

A diretriz da AGA de 2019 para a diarreia aquosa crônica sugere calprotectina ou lactoferrina, sorologia para doença celíaca, pesquisa de Giardia e investigação de diarreia por ácidos biliares. Ela desaconselha o parasitológico de rotina quando não há viagem ou exposição de risco, e não recomenda confiar no VHS ou na proteína C-reativa para descartar uma doença inflamatória intestinal.

Endoscopia e exames de imagem

A colonoscopia com biópsias aleatórias é a única forma de encontrar a colite microscópica, porque o cólon parece normal. A endoscopia digestiva alta com biópsias confirma a doença celíaca. Exames de imagem não diagnosticam a insuficiência pancreática.

Valores de referência e limiares

As faixas variam um pouco entre laboratórios. Compare sempre seu resultado com a faixa impressa no seu próprio laudo.

MedidaUnidades usuais no BrasilUnidades SIO que sugere
Frequência das evacuações3 ou mais evacuações moles/diaIgualDefinição de diarreia; 6 ou mais por dia: procure um médico
DuraçãoMenos de 1 semana / 2-4 semanas / 4 semanas ou maisIgualAguda / persistente / crônica
Sódio (sangue)135-145 mEq/L135-145 mmol/LValores baixos ou altos refletem desequilíbrio de água e sal
Potássio (sangue)3,7-5,2 mEq/L3,7-5,2 mmol/LMuitas vezes baixo depois de diarreia intensa ou prolongada
Creatinina (sangue)Homens 0,7-1,3 mg/dL; mulheres 0,5-0,95 mg/dLHomens 62-115 µmol/L; mulheres 44-84 µmol/LUm aumento pode indicar desidratação sobrecarregando os rins
Calprotectina fecal40 µg/g ou menos40 mg/kg ou menosProbabilidade de 1% ou menos de doença inflamatória intestinal em quem tem sintomas de SII
Elastase fecalAcima de 200 µg/g normal; 100-200 indeterminado; abaixo de 100 µg/gIgual (µg/g = mg/kg)Abaixo de 100 µg/g: forte indício de insuficiência pancreática
Pesquisa de C. difficilePositivo ou negativoIgualSó tem valor com 3 ou mais evacuações não formadas em 24 horas

Como interpretar seus exames

Alguns padrões comuns ajudam a entender um laudo:

  • Potássio baixo, bicarbonato baixo e creatinina alta sugerem grande perda de líquidos; nosso artigo sobre o exame de potássio explica os sintomas.
  • Um painel de PCR positivo precisa combinar com seus sintomas: alguns germes, incluindo o C. difficile, são carregados sem causar doença.
  • Calprotectina normal, antitransglutaminase IgA negativa e hemograma normal tornam a SII-D ou a diarreia funcional o diagnóstico mais provável.
  • Uma calprotectina alta aponta para inflamação intestinal e geralmente leva a uma colonoscopia.
  • Uma antitransglutaminase IgA positiva sugere doença celíaca; nosso artigo sobre o exame antitransglutaminase IgA explica quando a biópsia ainda é necessária.
  • Um TSH baixo com diarreia, perda de peso e coração acelerado sugere hipertireoidismo; veja nosso guia do exame de TSH.

Tratamento: como parar a diarreia com segurança

Primeiro, a reidratação

O soro de reidratação oral (SRO) é uma mistura de água limpa, açúcar e sal. A glicose ajuda o intestino a absorver o sal e a água. Para crianças, a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde acrescentam zinco por 10 a 14 dias. Adultos com diarreia leve também podem usar caldos e bebidas isotônicas. Idosos e pessoas com diabetes ou doença renal devem perguntar ao médico qual soro usar.

Alimentação

Não é preciso uma dieta rígida: o NIDDK diz que em geral se pode voltar à alimentação normal assim que o apetite volta, mesmo que a diarreia continue.

Remédios sem receita

  • Loperamida (Imosec) age nos receptores opioides mu da parede do intestino para desacelerá-lo. Para a diarreia do viajante, o CDC indica 4 mg no início, depois 2 mg após cada evacuação mole, nunca mais de 16 mg em 24 horas. Doses maiores são perigosas: uma revisão de 2026 de 129 casos de superdosagem encontrou arritmias cardíacas graves com doses de apenas 20 a 40 mg por dia.
  • Subsalicilato de bismuto (Pepto-Bismol) contém um salicilato, um composto parecido com a aspirina. Não é recomendado para menores de 12 anos, na gravidez, nem para pessoas com alergia à aspirina, gota ou insuficiência renal.

Não use esses remédios por conta própria se houver sangue nas fezes ou febre, nem em bebês e crianças, e procure um médico se a diarreia durar mais de 2 dias apesar deles.

Quando o antibiótico ajuda

A maioria das diarreias do dia a dia é viral, e a diretriz do ACG desaconselha antibióticos na maior parte dos casos. Eles ajudam em situações específicas:

  • diarreia do viajante grave ou disenteria: a azitromicina é a preferida, muitas vezes em dose única; a rifaximina é uma opção para E. coli não invasiva;
  • infecção por C. difficile: a fidaxomicina, que bloqueia a RNA polimerase da bactéria, é preferida à vancomicina na atualização IDSA/SHEA de 2021, e a vancomicina oral é uma alternativa aceitável;
  • parasitas como Giardia ou Cyclospora, com antiparasitários específicos.

Tratamento da diarreia crônica

O tratamento mira a causa: dieta sem glúten na doença celíaca, sequestradores de ácidos biliares como a colestiramina, enzimas pancreáticas ou remédios para doença inflamatória intestinal. Para a SII-D e a diarreia funcional, a revisão do JAMA de 2026 recomenda refeições regulares, exercício, pelo menos 8 copos de líquidos sem cafeína por dia, no máximo 3 xícaras de bebidas com cafeína, e evitar álcool e refrigerantes. Uma dieta pobre em FODMAP, a loperamida, antiespasmódicos (hiosciamina, diciclomina) ou a ondansetrona melhoram a diarreia em 50% a 80% dos pacientes.

Prevenção da diarreia

  • Lave as mãos com frequência, com água e sabão, por pelo menos 20 segundos, como recomenda o CDC, sobretudo depois de ir ao banheiro e antes de cozinhar.
  • Em viagens, prefira comida quente e recém-preparada e bebidas lacradas. O subsalicilato de bismuto reduz a diarreia do viajante em cerca de 50%, mas o número de comprimidos o torna pouco prático na maioria das viagens.
  • Tome antibióticos só quando forem realmente necessários. Cada tratamento aumenta o risco de C. difficile.
  • Continue lavando as mãos e limpando o banheiro depois de se recuperar: você ainda pode transmitir o norovírus por 2 semanas ou mais depois de se sentir bem.

Populações especiais

Crianças

O NIDDK recomenda procurar um médico se a diarreia durar mais de um dia, se um bebê se recusar a comer ou beber por mais de algumas horas, ou se houver qualquer febre em um bebê. Procure atendimento imediato para um bebê com menos de 12 meses ou prematuro. No mundo, a diarreia ainda mata cerca de 443.832 crianças com menos de 5 anos por ano.

Gravidez

Líquidos e SRO são seguros e vêm primeiro. O subsalicilato de bismuto deve ser evitado. Pergunte ao seu obstetra antes de tomar loperamida.

Idosos

Adultos com 65 anos ou mais respondem pela maioria das mortes por norovírus e têm maior risco de C. difficile. Diuréticos e remédios para pressão pioram a desidratação, por isso vale a pena dosar sódio, potássio e creatinina logo cedo.

Quando a diarreia é preocupante: quando procurar um médico

Ligue para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro se houver:

  • desmaio, confusão, coração muito acelerado ou pouquíssima ou nenhuma urina;
  • grande quantidade de sangue, ou fezes pretas e pegajosas (melena);
  • dor de barriga forte e constante, ou barriga dura e inchada;
  • uma criança muito sonolenta ou que não consegue beber.

Marque uma consulta em breve se:

  • a diarreia durar mais de 2 dias (adulto) ou mais de 1 dia (criança);
  • você tiver 6 ou mais evacuações moles por dia, febre alta ou vômitos frequentes;
  • ela começou durante ou depois de um antibiótico, de uma internação ou de uma viagem ao exterior;
  • ela acorda você à noite, vem com perda de peso ou dura mais de 4 semanas;
  • você está grávida, tem mais de 65 anos, é imunocomprometido ou tem doença renal.

Últimos avanços científicos sobre a diarreia

2026: um novo roteiro do JAMA para a diarreia crônica

Uma revisão do JAMA de abril de 2026, da Michigan Medicine, propõe um primeiro passo simples para a diarreia crônica não infecciosa: antitransglutaminase IgA com IgA total para a doença celíaca e calprotectina fecal para a doença inflamatória intestinal. A colonoscopia com biópsias aleatórias é indicada diante de sinais de alerta ou a partir dos 45 anos, porque a colite microscópica é encontrada em 13% dos pacientes. O que muda para você: uma lista curta de exames resolve a maioria dos casos, e mudanças de hábitos ou remédios ajudam 50% a 80% das pessoas com SII-D ou diarreia funcional.

Painéis de PCR nas fezes: um teste basta

Um estudo de 2026 com 16.502 adultos em 12 hospitais e centros da Cleveland Clinic mostrou que repetir um painel em até 14 dias raramente ajuda. Foram necessários cerca de 24 testes repetidos para encontrar um germe novo, e 127 para encontrar um que precisasse de antibiótico. O que muda para você: se o primeiro painel deu negativo e você continua mal, o próximo passo costuma ser outro exame, não o mesmo painel de novo.

Terapias com microbioma para o C. difficile recorrente

Em abril de 2023, a FDA aprovou o Vowst, uma cápsula de esporos bacterianos purificados tomada após os antibióticos, para evitar a volta do C. difficile em adultos. No estudo de fase 3 (NCT03183128), só 12% dos pacientes tratados tiveram recorrência até a semana 8, contra 40% com placebo. Uma análise de 2026 na Nature Medicine mostrou que ele restaura bactérias intestinais protetoras, e uma revisão de 2026 coloca o Vowst e o Rebyota (aplicado por via retal) como opções padrão após uma recorrência.

Diarreia por ácidos biliares: mais reconhecida

Um consenso chinês de especialistas de 2026 afirma que a diarreia por ácidos biliares é comum, mas muitas vezes passa despercebida ou é confundida com SII-D. Uma revisão de 2026 observa que o exame de sangue C4 (7α-hidroxi-4-colesten-3-ona) e as dosagens de ácidos biliares nas fezes são promissores, mas ainda pouco padronizados. Os sequestradores de ácidos biliares continuam sendo o principal tratamento. O que muda para você: se os tratamentos para SII-D falharem, pergunte se a diarreia por ácidos biliares foi investigada ou testada.

Uma vacina contra o norovírus em fase 3

Ainda não existe vacina aprovada contra o norovírus. A mRNA-1403, da Moderna, está sendo testada em um estudo de fase 3 com 37.864 adultos (NCT06592794), com os principais resultados esperados depois de fevereiro de 2027. Se funcionar, poderá prevenir a causa mais comum de diarreia aguda.

Quais exames podem ajudar?

Para uma diarreia curta, em geral você não precisa de exame. Quando ela dura mais de 2 semanas, volta com frequência ou vem com sinais de alerta, um pequeno conjunto de exames responde à maioria das perguntas:

  • fezes: painel PCR ou coprocultura, pesquisa de C. difficile após antibióticos, parasitológico após viagens, calprotectina fecal, elastase fecal se as fezes forem gordurosas;
  • sangue: hemograma, eletrólitos, creatinina e ureia, antitransglutaminase IgA com IgA total, TSH, ferritina e proteína C-reativa;
  • rastreamento do câncer de intestino a partir dos 45 anos com FIT ou colonoscopia, como recomenda a USPSTF americana; um teste FIT positivo sempre exige colonoscopia.

Leve seus exames anteriores: uma tendência diz mais ao médico do que um número isolado.

Glossário

  • Diarreia por ácidos biliares: diarreia causada por excesso de ácidos biliares chegando ao cólon.
  • Calprotectina: proteína dos glóbulos brancos, dosada nas fezes para detectar inflamação intestinal.
  • Elastase fecal: enzima do pâncreas dosada nas fezes para avaliar a digestão.
  • Colite microscópica: inflamação do cólon visível apenas na biópsia.
  • Painel de PCR multiplex: exame de fezes que procura o material genético de muitos germes ao mesmo tempo.
  • Soro de reidratação oral (SRO): bebida de água, açúcar e sais que repõe as perdas de líquido.
  • Antitransglutaminase IgA: exame de sangue de anticorpos usado na triagem da doença celíaca.

Perguntas frequentes sobre diarreia

Quais são os tipos de diarreia e quais bactérias causam diarreia explosiva?

Pela duração, a diarreia é aguda, persistente ou crônica. A diarreia súbita e forte vem muitas vezes da Salmonella, do Campylobacter, da Shigella, da E. coli produtora de toxina Shiga ou, em viajantes, da ETEC. O norovírus causa o mesmo quadro com vômitos.

Como curar a diarreia em adultos?

Comece com líquidos e SRO. A loperamida ou o subsalicilato de bismuto podem encurtar os sintomas se não houver sangue nem febre. Os antibióticos ficam para a diarreia do viajante grave, a disenteria, o C. difficile ou os parasitas.

Ansiedade causa diarreia?

Sim. O intestino e o cérebro estão ligados por nervos e hormônios do estresse. A ansiedade acelera as contrações do intestino e o deixa mais sensível, um dos motivos pelos quais o estresse desencadeia crises de SII. Veja nosso artigo sobre ansiedade. Diarreia noturna ou perda de peso apontam para outra causa.

Por que tenho diarreia logo depois de comer?

Comer desencadeia o reflexo gastrocólico, um impulso normal do cólon. Ele é mais forte na SII-D, depois da retirada da vesícula, na diarreia por ácidos biliares, após cirurgia do estômago, no hipertireoidismo ou com alimentos que você tolera mal, como a lactose.

Diarreia do nada, sem outros sintomas, por 4 dias é preocupante?

Muitas vezes é um vírus leve ou o efeito de um alimento ou remédio, mas o NIDDK recomenda procurar um médico quando a diarreia de um adulto dura mais de 2 dias. Pelo Ministério da Saúde, quem trata a diarreia em casa deve voltar ao serviço de saúde se não melhorar em 2 dias.

Quando a diarreia é preocupante em adulto?

Com sangue ou fezes pretas, febre alta, dor forte, desidratação, 6 ou mais evacuações por dia, diarreia após antibióticos ou diarreia por mais de 2 dias. Depois de 4 semanas, ela sempre exige investigação.

Qual o melhor remédio para diarreia aguda e aquosa?

Primeiro o SRO. Sem febre nem sangue, a loperamida (dentro dos limites da bula) ou o subsalicilato de bismuto ajudam os adultos.

Fontes

  • Singh P et al. — Chronic, Noninfectious Diarrhea: A Review — JAMA, 2026 — doi.org
  • Riddle MS et al. — ACG Clinical Guideline: Diagnosis, Treatment, and Prevention of Acute Diarrheal Infections in Adults — American Journal of Gastroenterology, 2016 — doi.org
  • Smalley W et al. — AGA Clinical Practice Guidelines on the Laboratory Evaluation of Functional Diarrhea and IBS-D in Adults — Gastroenterology, 2019 — doi.org
  • McDonald LC et al. — Clinical Practice Guidelines for Clostridium difficile Infection in Adults and Children: 2017 Update by the IDSA and SHEA — Clinical Infectious Diseases, 2018 — doi.org
  • Johnson S et al. — IDSA/SHEA 2021 Focused Update Guidelines on Management of Clostridioides difficile Infection in Adults — Clinical Infectious Diseases, 2021 — doi.org
  • Menees SB et al. — A meta-analysis of CRP, ESR, fecal calprotectin and fecal lactoferrin to exclude IBD in adults with IBS — American Journal of Gastroenterology, 2015 — doi.org
  • Whitcomb DC et al. — AGA Clinical Practice Update on Exocrine Pancreatic Insufficiency: Expert Review — Gastroenterology, 2023 — doi.org
  • Rubio-Tapia A et al. — ACG Guidelines Update: Diagnosis and Management of Celiac Disease — American Journal of Gastroenterology, 2023 — doi.org
  • Shu J et al. — Repeat multiplex PCR gastrointestinal panel testing within 14 days yields minimal additional diagnostic information — Infection Control and Hospital Epidemiology, 2026 — doi.org
  • Bryant JA et al. — The impact of an oral purified microbiome therapeutic on the gastrointestinal microbiome — Nature Medicine, 2026 — doi.org
  • Berry P et al. — FDA-Approved Fecal Microbiota-Based Therapies for Recurrent Clostridioides difficile Infection — Gastroenterology Clinics of North America, 2026 — doi.org
  • Chinese Society of Gastroenterology — Chinese Expert Consensus on the Clinical Management of Bile Acid Diarrhea (2026 Version) — Journal of Digestive Diseases, 2026 — doi.org
  • Maqsood A et al. — Primary Bile Acid Diarrhea: A Narrative Review of Pathophysiology, Diagnostic Challenges, and Emerging Therapeutic Strategies — Cureus, 2026 — doi.org
  • ModernaTX — Phase 3 Study of mRNA-1403 to Prevent Norovirus Acute Gastroenteritis in Adults (NCT06592794) — ClinicalTrials.gov, 2024 — clinicaltrials.gov
  • Seres Therapeutics — ECOSPOR III: SER-109 to prevent recurrent C. difficile infection (NCT03183128) — ClinicalTrials.gov, 2017 — clinicaltrials.gov
  • Bekka E et al. — Toxicity profile of supratherapeutic loperamide: a systematic review and dose-response analysis — Clinical Toxicology, 2026 — doi.org
  • NIDDK — Definition and Facts for Diarrhea — NIH — niddk.nih.gov
  • NIDDK — Symptoms and Causes of Diarrhea — NIH — niddk.nih.gov
  • NIDDK — Treatment of Diarrhea — NIH — niddk.nih.gov
  • CDC — About Norovirus; Norovirus Facts and Stats — CDC — cdc.gov
  • CDC — About C. diff — CDC — cdc.gov
  • CDC Yellow Book — Travelers' Diarrhea — CDC — cdc.gov
  • FDA — VOWST (fecal microbiota spores, live-brpk) — US Food and Drug Administration, 2023 — fda.gov
  • OMS — Diarrhoeal disease (ficha informativa) — Organização Mundial da Saúde — who.int
  • MedlinePlus — Sodium blood test; Potassium blood test; Creatinine blood test — NLM — medlineplus.gov
  • MedlinePlus — Stool Elastase — NLM — medlineplus.gov
  • US Preventive Services Task Force — Colorectal Cancer: Screening — USPSTF, 2021 — uspreventiveservicestaskforce.org
  • Ministério da Saúde — Doenças diarreicas agudas (DDA): planos A, B e C de reidratação, zinco e sinais de alerta — Ministério da Saúde — gov.br/saude

Leia também

Entenda seus exames com a AI DiagMe

Uma diarreia que se arrasta muitas vezes deixa uma pilha de resultados: eletrólitos, creatinina, hemograma, calprotectina, anticorpos da doença celíaca. A AI DiagMe lê seus laudos de sangue, urina e fezes em minutos e explica cada valor em linguagem simples, com o que conversar com seu médico. Envie seus exames e receba um relatório claro com a AI DiagMe.

Equipe editorial

  • AI DiagMe

    Autor

    A equipe da AI DiagMe reúne médicos, especialistas clínicos e editores médicos. Nossos artigos são escritos por profissionais de comunicação em saúde e, em seguida, revisados e validados pelos médicos do nosso comitê científico, composto por médicos atuantes em hospitais em especialidades como hematologia, endocrinologia e clínica médica. Julien Priour, que lidera a missão editorial, possui MBA pela HEC Paris e foi capacitado em redação e publicação científica pelo Instituto Nacional de Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável da França (IRD, FUN-MOOC, 2026). Cada conteúdo é baseado em diretrizes clínicas atuais e publicações médicas revisadas por pares.

    E-mail Site
  • Julien Priour

    Editado por

    Cofundadora e CEO da AI DiagMe · Editora médica sênior · Formada pela HEC Paris

    Julien Priour é editor médico sênior na AI DiagMe, onde supervisiona a linha editorial e o processo de checagem de fatos. Formado pela HEC Paris, tem 3 anos de experiência em publicações de saúde e foi capacitado em redação e publicação científica pelo Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD, FUN-MOOC, 2026). Ele garante que cada artigo siga as diretrizes médicas vigentes e seja revisado e validado por um médico do comitê científico e de ética. Define os padrões de seleção de fontes (HAS, Ameli, INSERM…) e de revisão aplicados em todo o site.

    E-mail LinkedIn
  • Dr. Claude Tchonko

    Revisado clinicamente por

    O Dr. Claude Tchonko é hematologista, atua desde 2013 e atualmente trabalha na Clinique Mas de Rochet (Castelnau-le-Lez, França). Com uma trajetória internacional, é especializado no tratamento das neoplasias hematológicas malignas (leucemias, linfomas, mielomas), com especial expertise em autotransplante de células-tronco, terapia CAR-T e otimização das linhas de cuidado em onco-hematologia.

    Autor de uma obra de referência, “As hemopatias linfoides no Mali”, ele alia a prática clínica à participação ativa em projetos de desenvolvimento de soluções tecnológicas em saúde.

    Doutor de Estado em Medicina (Faculdade de Medicina de Bamako, 2006), complementou sua formação com um Certificado de Estudos Especializados em Hematologia Bioclínica (Abidjan-Cocody, 2010) e diversos diplomas universitários: um DFMS em Hematologia e um diploma interuniversitário (DIU) em Citogenética Onco-hematológica (Grenoble), além de um diploma universitário (DU) sobre a síndrome falciforme maior (UPEC).

    Dr. Claude Tchonko LinkedIn

Posts relacionados

Em breve