O sarampo é uma infeção viral muito contagiosa que começa como uma constipação forte, com febre alta, tosse, corrimento nasal e olhos vermelhos e lacrimejantes, e depois provoca uma erupção de manchas vermelhas que se espalha da cara para o resto do corpo cerca de 3 a 5 dias mais tarde. A maioria das pessoas recupera em poucas semanas, mas o sarampo pode causar pneumonia, inflamação do cérebro (encefalite) e morte, sobretudo em crianças pequenas, grávidas e pessoas com imunidade fragilizada. Não existe antiviral que o cure. Duas doses da vacina VASPR (sarampo, papeira e rubéola) têm 97% de eficácia na prevenção, segundo o CDC.
O sarampo voltou às notícias. O CDC contou 5182 casos confirmados nos Estados Unidos em 2026 até 5 de novembro de 2026, depois de 2289 casos em todo o ano de 2025. Se tem febre e erupção, esteve exposto ou precisa de provar que está imune, a análise certa depende do momento: uma zaragatoa para RT-PCR e uma análise ao sangue de IgM para o sarampo confirmam uma infeção atual, enquanto a análise de IgG verifica a imunidade.
Pontos-chave
- O sarampo transmite-se pelo ar: até 9 em cada 10 contactos próximos sem imunidade apanham a doença.
- Sequência típica: febre alta, tosse, corrimento nasal e olhos vermelhos, depois uma erupção que começa na cara cerca de 14 dias após a exposição.
- Diagnóstico: zaragatoa do nariz ou da garganta (RT-PCR), de preferência com urina, mais uma análise ao sangue de IgM para o sarampo. Um IgG positivo isolado significa imunidade.
- Após uma exposição, uma dose de VASPR nas 72 horas seguintes ou imunoglobulina nos 6 dias seguintes pode evitar ou atenuar a doença.
- Telefone antes de ir a uma unidade de saúde, para não expor outros doentes.
O que é o sarampo?
O sarampo é causado pelo vírus do sarampo. Infeta as vias respiratórias, depois as células imunitárias, e espalha-se pelo sangue até à pele, aos pulmões, ao fígado e por vezes ao cérebro. Como ataca diretamente as células imunitárias, o sarampo enfraquece as defesas do organismo durante semanas a meses depois de a erupção desaparecer.
O sarampo foi declarado eliminado dos Estados Unidos em 2000, ou seja, deixou de circular durante todo o ano. Continua a chegar com viajantes, e seguem-se grandes surtos em comunidades com baixa vacinação, como no Texas, no Novo México e no Oklahoma em 2025. O vírus pode permanecer no ar de uma divisão até 2 horas. Antes da vacina, estima-se que 48 000 norte-americanos eram internados e 400 a 500 morriam de sarampo todos os anos.
A nível mundial, uma análise do Global Burden of Disease publicada em 2026 na Nature Medicine estimou 15,6 milhões de casos de sarampo e 118 000 mortes em crianças com menos de 5 anos em 2023. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a vacinação contra o sarampo evitou quase 59 milhões de mortes entre 2000 e 2024.
Causas e fatores de risco
Apanha-se sarampo ao respirar ar que contém o vírus. Uma pessoa infetada é contagiosa desde 4 dias antes até 4 dias depois do aparecimento da erupção, por isso muitas vezes transmite-o antes de saber que está doente.
O principal fator de risco é não ter imunidade. O CDC indica estes grupos como os mais sujeitos a doença grave:
- crianças com menos de 5 anos e adultos com mais de 20 anos;
- grávidas;
- pessoas com o sistema imunitário enfraquecido, como quem tem leucemia ou VIH;
- crianças desnutridas ou com défice de vitamina A, segundo a OMS.
No surto de 2025 nos Estados Unidos, 96% dos doentes notificados até 17 de abril não estavam vacinados ou tinham estado vacinal desconhecido.
Sintomas do sarampo e sinais de alarme
O sarampo segue uma cronologia previsível. O Pink Book do CDC dá estas médias:
- Dias 11 a 12 após a exposição: surgem os primeiros sintomas (o pródromo). A febre sobe por patamares, muitas vezes até 39,4 °C a 40,6 °C, com os "três C" do inglês: tosse, coriza (nariz a pingar) e conjuntivite (olhos vermelhos e lacrimejantes). Muitas pessoas sentem também cansaço e dores no corpo, e as dores de cabeça são frequentes.
- Cerca de 1 a 2 dias antes da erupção: as manchas de Koplik, pequenos pontos brancos ou branco-azulados sobre fundo vermelho na face interna das bochechas. São específicas do sarampo.
- Por volta do dia 14 (entre 7 e 21): a erupção do sarampo.
Como é a erupção do sarampo?
A erupção do sarampo é formada por manchas vermelhas planas, por vezes ligeiramente elevadas, que começam na linha do cabelo e atrás das orelhas e depois se espalham para a cara, o pescoço, o tronco, os braços e as pernas. As manchas juntam-se muitas vezes em placas, e a febre atinge geralmente o pico com a erupção. Dura 5 a 6 dias e desaparece pela mesma ordem em que surgiu. Muitas doenças provocam erupções; o nosso guia sobre causas de erupções na pele e sinais de alarme explica as diferenças. Os olhos vermelhos do sarampo também podem ser confundidos com uma conjuntivite comum; a combinação com febre alta e tosse é a pista.
As pessoas vacinadas que apanham sarampo têm muitas vezes uma doença mais ligeira e atípica, o que torna as análises laboratoriais ainda mais importantes.
Complicações do sarampo
Cerca de 30% dos casos notificados nos Estados Unidos entre 1987 e 2000 tiveram pelo menos uma complicação, segundo o CDC. As principais são:
- Diarreia e otites, frequentes e capazes de causar desidratação ou dor.
- Pneumonia, uma das principais causas de doença grave. Numa revisão do CDC de 54 doentes internados no oeste do Texas em 2025, 72% tinham pneumonia e 70% precisaram de oxigénio.
- Encefalite (inflamação do cérebro) em cerca de 1 em cada 1000 casos, muitas vezes com lesões cerebrais permanentes.
- Morte de 1 a 3 em cada 1000 crianças infetadas, por complicações pulmonares ou cerebrais.
- PEES, uma doença cerebral rara e fatal que surge 7 a 10 anos após a infeção. Um estudo da Califórnia estimou um risco de 1 em 1367 para crianças infetadas antes dos 5 anos e de 1 em 609 para as infetadas antes dos 12 meses.
- Amnésia imunitária: o sarampo apaga parte da memória do sistema imunitário contra outros agentes, o que pode deixar as crianças mais vulneráveis a outras infeções depois.
Como se diagnostica o sarampo?
O médico suspeita de sarampo pelos sintomas e pela possível exposição e depois confirma-o em laboratório. Os casos suspeitos são notificados às autoridades de saúde, que muitas vezes organizam análises rápidas; em Portugal, as amostras de sangue, urina e secreções orais seguem para o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), segundo o SNS 24. O CDC recomenda colher dois tipos de amostra logo na primeira consulta.
Zaragatoa para RT-PCR e análise de urina
O RT-PCR (reação em cadeia da polimerase com transcrição reversa) deteta o material genético do vírus. A amostra preferida é uma zaragatoa da nasofaringe (fundo do nariz) ou da garganta, podendo juntar-se a urina. A deteção funciona melhor desde o primeiro dia da erupção até 3 dias depois, mas ainda pode resultar 10 a 14 dias após o início da erupção. A urina conta mais do que muitos pensam: num surto no Colorado em 2025, dois doentes vacinados tiveram zaragatoa nasal negativa mas urina positiva, e um doente ainda tinha urina positiva 24 dias depois do início da erupção.
Análise ao sangue de IgM para o sarampo
O IgM é o primeiro anticorpo que o organismo produz contra uma infeção nova. Um IgM positivo para o sarampo aponta para uma infeção atual ou recente. O problema é o momento: o IgM pode só ser detetável cerca de 3 dias após o início da erupção, por isso um resultado negativo precoce pode tranquilizar falsamente. O CDC aconselha uma segunda colheita de sangue alguns dias depois se a primeira foi feita nos 3 primeiros dias da erupção e o RT-PCR foi negativo ou não foi feito. Também há falsos positivos, por exemplo com fator reumatoide ou com outras doenças com erupção, como o parvovírus B19. Para perceber como este anticorpo se comporta em geral, veja o nosso guia sobre resultados da análise de IgM.
Análise de IgG para o sarampo (serologia de imunidade)
O IgG surge um pouco mais tarde e mantém-se geralmente para toda a vida. Um IgG positivo isolado significa vacinação ou infeção anterior, pelo que é considerado imune. Durante a doença, uma subida do IgG entre duas amostras colhidas com algumas semanas de intervalo apoia uma infeção recente. Se a sua pergunta é apenas "estou imune?", o nosso artigo sobre a serologia de anticorpos do sarampo mostra quando é útil e quando o boletim de vacinas basta.
Análises ao sangue complementares
As análises de rotina ajudam a avaliar a gravidade. O hemograma completo mostra muitas vezes linfócitos baixos: 74% de 124 adultos internados com sarampo em Sarajevo em 2024 tinham linfopenia. As plaquetas por vezes estão baixas. No estudo de Sarajevo, a proteína C-reativa estava elevada em 95% e as enzimas hepáticas em 75% dos doentes. Em crianças com sarampo grave, os médicos podem também dosear a vitamina A (retinol), embora o tratamento não espere pelo resultado.
Análises do sarampo: valores de referência e limiares
Cada laboratório define os seus próprios valores de corte, por isso leia o intervalo impresso no seu boletim. Os valores abaixo são exemplos publicados.
| Análise | Resultado (unidades do boletim / SI) | O que costuma significar |
|---|---|---|
| RT-PCR do sarampo (zaragatoa ou urina) | Detetado / não detetado | Detetado = infeção atual (ou vírus da vacina recente, ver abaixo) |
| IgM do sarampo (exemplo do laboratório ARUP) | Abaixo de 1:10 negativo; 1:10 ou mais positivo | Positivo = primeira infeção recente; pode ser falsamente negativo nos 3 primeiros dias da erupção |
| IgG do sarampo (exemplo do laboratório ARUP) | 13,4 AU/mL ou menos negativo; 13,5 a 16,4 duvidoso; 16,5 ou mais positivo | Positivo = vacinado ou infeção anterior; duvidoso = repetir em 7 a 14 dias ou vacinar |
| Anticorpos neutralizantes (PRN, laboratórios de investigação) | 120 mUI/mL ou menos (0,12 UI/mL) | Não protegeu contra a doença num estudo de surto do CDC |
| Linfócitos (hemograma, adultos) | Muitas vezes abaixo de cerca de 1000/µL (1,0 × 10⁹/L) | Linfopenia, frequente no sarampo agudo; recupera geralmente em semanas |
| Retinol sérico (vitamina A) | Abaixo de 20 µg/dL (0,70 µmol/L) défice; abaixo de 10 µg/dL (0,35 µmol/L) grave | Valores de corte da OMS; a vitamina A baixa está ligada a sarampo mais grave |
Como interpretar as análises do sarampo
Leia os resultados em conjunto:
- PCR positivo, com febre e erupção: sarampo confirmado. Siga as indicações de isolamento da autoridade de saúde.
- PCR negativo, IgM positivo: provável infeção recente se não está vacinado e esteve exposto; é possível um falso positivo quando a história não bate certo.
- IgM negativo nos 3 primeiros dias da erupção: ainda não é tranquilizador. Pergunte se está prevista uma segunda colheita de sangue ou um PCR na urina.
- IgG positivo, IgM negativo, sem sintomas: está imune, o resultado habitual após a vacinação.
- IgG negativo ou duvidoso, sem sintomas: pode não estar protegido; vacinar é geralmente mais simples do que repetir a análise.
- Erupção 7 a 10 dias depois de uma dose de VASPR: pode ser uma reação à vacina. Os laboratórios de referência, como o INSA ou o CDC, conseguem identificar o vírus da vacina para que não seja contado como caso de sarampo.
Se os leucócitos ou as enzimas hepáticas estiverem alterados, o nosso guia sobre linfócitos baixos e o nosso artigo sobre as análises da função hepática explicam o que esses números significam.
Tratamento do sarampo e seguimento
Não existe antiviral aprovado pela FDA para o sarampo. Os cuidados são de suporte: líquidos, controlo da febre com paracetamol ou ibuprofeno (nunca ácido acetilsalicílico em crianças), repouso e tratamento das complicações. Os antibióticos não são dados por rotina, mas tratam otites ou pneumonias bacterianas. A ribavirina, um antiviral que bloqueia a síntese do ARN viral, é por vezes considerada em casos graves, em meio especializado, mas não está aprovada pela FDA para o sarampo.
Vitamina A no sarampo
O CDC diz que a vitamina A pode ser dada a crianças com sarampo sob vigilância médica e deve ser dada no sarampo grave, incluindo todas as crianças internadas. As doses são dadas no dia do diagnóstico e repetidas no dia seguinte: 50 000 UI abaixo dos 6 meses, 100 000 UI dos 6 aos 11 meses e 200 000 UI a partir dos 12 meses. A OMS recomenda-o para todas as crianças com menos de 5 anos com suspeita de sarampo, com uma terceira dose 4 a 6 semanas depois se houver sinais oculares de défice. Uma revisão Cochrane mostrou que duas doses reduziram o risco de morte em crianças com menos de 2 anos. A vitamina A não previne o sarampo nem substitui a vacina. Doses elevadas nunca se tomam por iniciativa própria, e as grávidas devem evitá-las. O nosso guia da análise da vitamina A explica o que significa um resultado de retinol.
Isolamento e recuperação
Quem tem sarampo fica em casa, longe da escola, do trabalho e da creche, até 4 dias depois do aparecimento da erupção. Por causa da amnésia imunitária, mantenha depois as vacinas de rotina em dia.
Prevenção do sarampo: vacina VASPR e medidas após exposição
Esquema da vacina VASPR (CDC)
- Crianças: primeira dose aos 12 a 15 meses, segunda aos 4 a 6 anos. A segunda dose pode ser dada mais cedo, pelo menos 28 dias depois da primeira.
- Bebés dos 6 aos 11 meses: uma dose antecipada antes de uma viagem internacional, seguida mais tarde das duas doses de rotina.
- Adultos sem prova de imunidade: pelo menos uma dose; duas doses, com 28 dias de intervalo, para estudantes universitários, profissionais de saúde e viajantes internacionais.
- Prova de imunidade: registo escrito de vacinação, IgG positivo, sarampo anterior confirmado em laboratório ou, nos Estados Unidos, nascimento antes de 1957.
Cerca de 95% das crianças vacinadas aos 12 meses ou mais respondem a uma dose, e mais de 99% após duas. Em Portugal, segundo o SNS 24, a VASPR é dada aos 12 meses e aos 5 anos; os adultos nascidos a partir de 1970 sem história credível de sarampo fazem uma dose, e os profissionais de saúde duas. Os efeitos secundários habituais são ligeiros: febre em 5% a 15% e erupção em cerca de 5%, geralmente 7 a 12 dias após a vacina. As convulsões febris ocorrem em cerca de 1 em cada 3000 a 4000 doses. A VASPR é uma vacina viva e não é dada na gravidez; deve evitar-se engravidar nas 4 semanas seguintes a uma dose.
Após uma exposição: aja nas 72 horas seguintes
- A vacina VASPR nas 72 horas seguintes à exposição pode evitar o sarampo ou torná-lo mais ligeiro em quem não tem imunidade.
- A imunoglobulina (IG) nos 6 dias seguintes é usada quando a vacina não é possível: bebés com menos de 12 meses, grávidas sem imunidade e pessoas com imunidade muito comprometida. A dose intramuscular é de 0,5 mL/kg (máximo de 15 mL); as pessoas muito imunocomprometidas e as grávidas recebem a forma intravenosa (400 mg/kg).
- A VASPR e a IG não são dadas ao mesmo tempo.
Uma revisão sistemática de 2025 estimou a eficácia da vacina dada após a exposição em 83% a 100%, e a da imunoglobulina em 76% a 100%, sublinhando que os estudos são pequenos.
Sarampo na gravidez, em crianças e em adultos mais velhos
Gravidez: o sarampo aumenta o risco de doença grave, aborto espontâneo, parto prematuro e baixo peso ao nascer, segundo a OMS. A VASPR não pode ser dada na gravidez, por isso a imunidade é verificada antes ou no início da gravidez, como descrito no nosso guia das análises ao sangue na gravidez. Uma grávida sem imunidade que tenha estado exposta deve contactar o médico no próprio dia para avaliar a imunoglobulina intravenosa.
Bebés: os bebés são demasiado novos para a VASPR de rotina e têm o maior risco de PEES. Na revisão dos hospitais do oeste do Texas, 91% dos doentes internados tinham menos de 18 anos. As crianças com sarampo devem receber vitamina A, como descrito acima.
Adultos mais velhos: segundo o SNS 24, cerca de 99% dos adultos portugueses nascidos antes de 1970 são considerados protegidos. Os adultos com mais de 20 anos que apanham sarampo têm maior risco de doença grave.
Quando consultar um médico
Telefone ao seu médico, ao centro de saúde ou ao SNS 24 (808 24 24 24) antes de se deslocar se o próprio ou o seu filho tiver febre com erupção, ou sintomas após uma possível exposição, e diga que pode ser sarampo. Telefone também rapidamente se esteve exposto e está grávida, tem imunidade fragilizada ou tem um bebé não vacinado, porque as janelas de tratamento são curtas (72 horas para a VASPR, 6 dias para a imunoglobulina).
Ligue 112 perante sinais de emergência: dificuldade em respirar, lábios arroxeados, uma convulsão, sonolência invulgar ou confusão, rigidez do pescoço, sinais de desidratação (sem urinar há 8 horas ou mais, sem lágrimas) ou um bebé que não quer mamar.
Avanços científicos mais recentes sobre o sarampo
Os surtos recentes nos Estados Unidos mostram quem acaba internado
Investigadores do CDC analisaram 54 doentes internados no oeste do Texas no início de 2025. Todos eram não vacinados ou tinham estado desconhecido, 89% não tinham qualquer doença de base e 72% tinham pneumonia. Cerca de 1 em cada 5 pessoas com sarampo nesse surto precisou de internamento. Na prática: o sarampo não é "só uma erupção" para crianças saudáveis.
Amostras de urina e de águas residuais detetam casos que as zaragatoas falham
Um relatório do CDC de 2026 sobre um surto no Colorado encontrou ARN do sarampo na urina quando as zaragatoas nasais eram negativas em doentes vacinados, e os autores recomendam a colheita de urina por rotina. No Wisconsin, a análise das águas residuais detetou um caso importado antes de ser identificado clinicamente, e revelou também que um teste muito usado não detetava uma variante B3 em circulação, o que foi depois corrigido. Na prática: uma amostra de urina aumenta a probabilidade de um resultado correto.
O sarampo apaga a memória imunitária
Um estudo marcante de 2019 na Science mostrou que o sarampo eliminou 11% a 73% do repertório de anticorpos que as crianças já tinham, um efeito não observado após a vacina VASPR. O NIAID estuda agora a amnésia imunitária após o sarampo em África (NCT06153979). Na prática: a vacina protege contra mais do que o próprio sarampo.
Adesivos de vacina e terceira dose
Num ensaio de 2024 publicado na Lancet, realizado na Gâmbia, um adesivo de microagulhas contra o sarampo e a rubéola levou 93% dos bebés a produzir anticorpos contra o sarampo, contra 90% após a injeção habitual, com apenas reações cutâneas ligeiras. No Canadá, um estudo em curso avalia se uma terceira dose de VASPR traz benefício aos adultos (NCT05923970). Na prática: vacinas mais fáceis podem ajudar a fechar lacunas de cobertura, mas uma terceira dose não é recomendada por rotina atualmente.
Que análises podem ajudar?
Perante a suspeita de sarampo, as análises decisivas são uma zaragatoa para RT-PCR com urina e uma análise ao sangue de IgM para o sarampo. Para verificar a imunidade, basta uma análise de IgG. Em paralelo, o hemograma, a proteína C-reativa, as enzimas hepáticas e os eletrólitos mostram a força da infeção. As análises que distinguem infeções virais de bacterianas podem orientar a decisão sobre antibióticos, como explica o nosso artigo sobre uma análise ao sangue para infeção bacteriana ou viral. Uma erupção que começou depois de um antibiótico pode ser uma reação ao medicamento, como no nosso guia sobre a erupção da amoxicilina. A nossa página sobre as plaquetas indica o intervalo normal.
Glossário
- Coriza: nariz a pingar ou entupido.
- Manchas de Koplik: pequenos pontos brancos na face interna das bochechas que surgem pouco antes da erupção do sarampo.
- RT-PCR: método laboratorial que deteta o material genético do vírus numa zaragatoa, na urina ou no sangue.
- IgM: o primeiro anticorpo produzido contra uma infeção nova; desaparece em algumas semanas.
- IgG: o anticorpo duradouro que mostra imunidade por vacinação ou infeção anterior.
- Título: medida da quantidade de anticorpos no sangue. Veja também o nosso guia da análise de IgG.
- Linfopenia: número baixo de linfócitos, um tipo de glóbulo branco.
- PEES: panencefalite esclerosante subaguda, uma complicação cerebral tardia do sarampo.
- Amnésia imunitária: perda da memória imunitária contra outros agentes, causada pelo sarampo.
Perguntas frequentes sobre o sarampo
Qual é a causa do sarampo e como se diagnostica?
A causa é o vírus do sarampo, transmitido pelo ar. O diagnóstico faz-se pelos sintomas e pela história de exposição, com confirmação por RT-PCR numa zaragatoa do nariz ou da garganta (e na urina) e por uma análise ao sangue de IgM para o sarampo.
Quais são as 3 fases do sarampo?
A incubação, sem sintomas, dura cerca de 11 a 12 dias; segue-se o pródromo, com febre alta, tosse, nariz a pingar, olhos vermelhos e cansaço, e as manchas de Koplik 1 a 2 dias antes da erupção; por fim, a fase da erupção, que dura 5 a 6 dias.
Qual é a diferença entre sarampo e varicela?
No sarampo, a erupção é feita de manchas vermelhas planas que começam na cara e se juntam em placas, após vários dias de febre alta, tosse e olhos vermelhos. Na varicela, surgem pequenas bolhas com líquido que fazem comichão, em vagas, primeiro no tronco. Dores de cabeça são frequentes no sarampo; uma dor de cabeça forte com rigidez do pescoço, confusão ou convulsões exige a urgência.
Quantas pessoas morreram de sarampo no ano passado?
Em 2025, o CDC registou três mortes por sarampo nos Estados Unidos até 17 de abril, entre 2289 casos confirmados no ano inteiro. A sua página nacional, atualizada a 6 de novembro de 2026, indica 4 mortes e avisa que este número pode mudar. A nível mundial, a OMS estima cerca de 95 000 mortes por sarampo em 2024.
Qual é a taxa de mortalidade do sarampo?
Nos Estados Unidos, 1 a 3 em cada 1000 crianças com sarampo morrem, segundo o CDC.
Quantas vezes se pode ter sarampo?
Normalmente só uma vez: a infeção deixa imunidade para toda a vida. Quem está vacinado raramente o apanha: duas doses têm 97% de eficácia e uma dose 93%, e os vacinados que adoecem têm geralmente sintomas menos numerosos e mais ligeiros.
O que é o sarampo associado à vacina?
Cerca de 5% das pessoas têm uma erupção ligeira, por vezes com febre, 7 a 10 dias após a VASPR. É uma reação à vacina, não um caso de sarampo, e um RT-PCR específico consegue identificar a estirpe da vacina.
Fontes
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- CDC — Clinical Overview of Measles — CDC, 2026 — cdc.gov
- CDC — Laboratory Testing for Measles — CDC, 2024 — cdc.gov
- CDC — Measles Serology Testing — CDC, 2024 — cdc.gov
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- CDC — Pink Book, Chapter 13: Measles — CDC, 2024 — cdc.gov
- MedlinePlus — Measles and Mumps Tests — National Library of Medicine, 2025 — medlineplus.gov
- OMS — Measles (ficha informativa) — Organização Mundial da Saúde, 2026 — who.int
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- University of Alberta — Is a Third Dose of MMR(V) Vaccine Beneficial for the Adult Population in Alberta? (NCT05923970) — ClinicalTrials.gov, 2024 — clinicaltrials.gov
- SNS 24 — Sarampo: sintomas, transmissão, vacina VASPR e confirmação laboratorial pelo INSA — SNS 24, 2025 — sns24.gov.pt
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