O que é a doença de Berger?

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Berger's disease, IgA nephropathy of the kidneys, explained
Revisado clinicamente por: Julien Priour

⚕️ Este artigo tem caráter meramente informativo e não substitui a consulta médica. Consulte sempre o seu médico para interpretar os seus resultados.

A doença de Berger, também conhecida como nefropatia por IgA, é uma doença renal crônica. Ela é caracterizada pelo acúmulo anormal de um anticorpo, a imunoglobulina A (IgA), nos glomérulos. Os glomérulos são as unidades de filtração dos rins. Esses depósitos causam inflamação que, com o tempo, pode prejudicar a capacidade dos rins de filtrar resíduos do sangue.

Essa doença progride lentamente, frequentemente ao longo de vários anos. É uma das glomerulonefrites mais comuns em todo o mundo. Afeta principalmente adultos jovens, com maior prevalência em homens. Embora sua evolução varie, o manejo adequado é essencial para preservar a função renal pelo maior tempo possível. Seu diagnóstico baseia-se em exames específicos e, frequentemente, em uma biópsia renal.

Quais são as causas e os fatores de risco?

Os cientistas não compreendem completamente a causa exata da doença de Berger, que consideram uma doença autoimune com um componente multifatorial. Vários elementos parecem desempenhar um papel no seu surgimento. O principal mecanismo envolve o sistema imunológico produzindo imunoglobulinas A (IgA) com uma estrutura anormal. O organismo não elimina adequadamente essas IgA modificadas, que então formam agregados.

Esses complexos imunes circulam no sangue e se depositam no mesângio, uma parte do glomérulo renal. Esse fenômeno desencadeia uma reação inflamatória local que danifica progressivamente os rins.

Diversos fatores de risco foram identificados:

  • Predisposição genética: Embora não seja uma doença hereditária direta, existem casos familiares. A presença de certos genes pode aumentar a suscetibilidade ao desenvolvimento da patologia.
  • Infecções da mucosa: Episódios infecciosos recorrentes (respiratórios ou digestivos) podem estimular a produção de IgA anormal. As crises da doença frequentemente coincidem com essas infecções.
  • Doenças associadas: Outras condições, como a doença celíaca ou certas doenças hepáticas crônicas, podem estar associadas à nefropatia por IgA.

Sintomas e sinais

A doença de Berger pode permanecer assintomática por muitos anos. Suas manifestações clínicas variam muito de um paciente para outro. Sua descoberta costuma ser incidental durante um exame de urina de rotina.

O sintoma mais característico é a hematúria, que consiste na presença de sangue na urina.

  • Hematúria macroscópica: A urina fica vermelha ou com cor de chá. Esse episódio geralmente ocorre de 24 a 48 horas após uma infecção (amigdalite, gastroenterite). Pode ser acompanhado de dor lombar.
  • Hematúria microscópica: O sangue não é visível a olho nu. Somente um exame de urina pode detectá-lo. Este é o sinal mais frequente e persistente.

Outro sinal importante é a proteinúria. Trata-se da presença de proteínas, principalmente albumina, na urina. A proteinúria elevada é um fator de risco para o agravamento da doença. Com o tempo, outros sintomas relacionados à deterioração da função renal podem surgir, como hipertensão arterial, edema (inchaço) nos tornozelos e fadiga persistente.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da doença de Berger começa com a suspeita clínica baseada nos sintomas. Exames de sangue e urina são os primeiros passos. A análise de urina (ECBU) confirma a presença de hematúria e quantifica a proteinúria. Os exames de sangue avaliam a função renal por meio da medição dos níveis de creatinina, o que permite o cálculo da taxa de filtração glomerular (TFG).

Frequentemente, realiza-se uma ultrassonografia renal. Ela permite observar o tamanho e a estrutura dos rins e descartar outras causas de anormalidades urinárias.

No entanto, o único exame que confirma o diagnóstico com certeza é a biópsia renal. Este procedimento consiste na coleta de um fragmento muito pequeno de tecido renal com uma agulha fina, sob anestesia local. A análise desta amostra ao microscópio revela depósitos característicos de IgA nos glomérulos. A biópsia também permite avaliar a extensão das lesões e estabelecer um prognóstico.

Tratamentos para a doença de Berger

Não existe cura definitiva para a doença de Berger. O tratamento visa principalmente retardar sua progressão, controlar os sintomas e prevenir complicações. A estratégia terapêutica é personalizada de acordo com a gravidade do quadro.

O tratamento baseia-se em medidas nefroprotetoras. Estas incluem o controle rigoroso da pressão arterial, frequentemente com medicamentos da classe dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA) ou dos bloqueadores dos receptores da angiotensina II (BRA). Esses tratamentos também ajudam a reduzir a proteinúria.

Para pacientes com alto risco de progressão da doença, podem ser prescritos tratamentos imunossupressores. Os corticosteroides, administrados ao longo de vários meses, são os mais comumente utilizados para reduzir a inflamação renal. Uma formulação específica, a budesonida de liberação direcionada (Tarpeyo® ou Kinpeygo®), atua principalmente no intestino para reduzir a produção de IgA anormal, com menos efeitos colaterais sistêmicos.

Por fim, os inibidores de SGLT2, inicialmente usados para diabetes, demonstraram eficácia na proteção dos rins em pacientes com doença renal crônica, incluindo a doença de Berger.

Avanços científicos recentes na doença de Berger

A pesquisa sobre a doença de Berger está muito ativa. O primeiro semestre de 2025 testemunhou avanços significativos, notadamente apresentados no congresso da Associação Renal Europeia (ERA) em junho.

Novas terapias direcionadas, que visam os mecanismos fundamentais da doença, mostram resultados promissores.

  • Sibeprenlimab: Os resultados preliminares do estudo de fase 3 VISIONARY são encorajadores. Este medicamento tem como alvo uma molécula chamada APRIL, que desempenha um papel na sobrevivência das células produtoras de IgA. Demonstrou uma redução significativa na proteinúria, um marcador chave da progressão da doença.
  • Zigakibart: Sendo também um inibidor de APRIL, os dados de 100 semanas confirmaram uma redução duradoura da proteinúria e boa tolerabilidade, sugerindo um efeito modificador da doença.
  • Outras vias promissoras: Diversos outros medicamentos estão em fases avançadas de ensaios clínicos. O atacicept (ensaio ORIGIN 3) e o povetacicept também têm como alvo as vias dos linfócitos B. O esparsentano, um antagonista duplo dos receptores de endotelina e angiotensina, e inibidores do complemento como o iptacopan, representam outras abordagens para reduzir os danos renais.

Essas pesquisas abrem caminho para uma nova era de tratamentos mais específicos, que vão além da imunossupressão geral e dos cuidados de suporte.

Prevenção

Ninguém pode impedir o início da doença de Berger, pois os cientistas ainda não compreendem completamente suas causas exatas. No entanto, uma vez feito o diagnóstico, o paciente pode adotar diversas medidas para retardar a progressão da doença e prevenir a insuficiência renal terminal. Fundamentalmente, o paciente deve controlar a pressão arterial, buscando principalmente mantê-la abaixo de 130/80 mmHg.

Para isso, devem adotar uma dieta com baixo teor de sal e limitar a ingestão de proteínas e gorduras saturadas. A menos que haja recomendação médica contrária, o paciente também deve manter-se bem hidratado. O médico recomenda que o paciente evite medicamentos potencialmente tóxicos para os rins, como anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). O paciente também deve parar de fumar para proteger eficazmente os rins e o sistema cardiovascular. Por fim, o paciente deve realizar acompanhamento médico regular com um nefrologista, que ajustará o tratamento e monitorará a evolução da função renal.

Vivendo com a doença de Berger

Viver com uma doença crônica como a doença de Berger exige adaptação diária. O acompanhamento médico regular é a base do tratamento. Isso inclui consultas, exames de sangue e de urina com a frequência definida pelo nefrologista.

O estilo de vida desempenha um papel fundamental. Uma dieta equilibrada, com baixo teor de sal, e atividade física regular são benéficas para a saúde renal e geral. É importante compreender bem o tratamento e segui-lo rigorosamente. Os pacientes devem aprender a reconhecer os sinais de uma crise, como o aparecimento de urina avermelhada ou edema, e consultar o médico imediatamente.

Psicologicamente, o anúncio de uma doença crônica pode ser difícil. Não hesite em buscar apoio de entes queridos, do seu médico ou de associações de pacientes. Compartilhar sua experiência pode ajudar a lidar melhor com a doença no dia a dia. O objetivo é manter uma boa qualidade de vida enquanto se controla a patologia a longo prazo.

Perguntas frequentes sobre a doença de Berger

A doença de Berger é grave?

A gravidade varia muito. Algumas formas permanecem benignas, com função renal preservada ao longo da vida. Outras podem progredir para doença renal crônica terminal, exigindo diálise ou transplante. O prognóstico depende de fatores como o nível de proteinúria, a pressão arterial e a extensão das lesões na biópsia.

A doença de Berger tem cura?

Não, não tem cura definitiva. É uma doença crônica. No entanto, os tratamentos atuais podem controlar sua progressão de forma muito eficaz, retardar a deterioração da função renal e manter uma boa qualidade de vida por muitos anos.

É necessária uma dieta específica?

Sim, uma dieta com baixo teor de sódio é fundamental para o controle da pressão arterial. Dependendo do estágio da doença, seu médico também pode recomendar a redução do consumo de proteínas, fósforo ou potássio. O acompanhamento com um nutricionista pode ser útil.

É possível engravidar com a doença de Berger?

Uma mulher com doença de Berger pode considerar a gravidez, mas uma equipe multidisciplinar, incluindo um nefrologista e um obstetra, deve planejar e acompanhar essa gestação de perto. A gravidez apresenta maiores riscos se a doença já tiver comprometido a função renal da paciente ou se a pressão arterial elevada não estiver controlada.

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  • AI DiagMe

    A equipe da AI DiagMe reúne médicos, especialistas clínicos e editores médicos. Nossos artigos são escritos por profissionais de comunicação em saúde e, em seguida, revisados e validados pelos médicos do nosso comitê científico, composto por médicos atuantes em hospitais em especialidades como hematologia, endocrinologia e clínica médica. Julien Priour, que lidera a missão editorial, possui MBA pela HEC Paris e foi capacitado em redação e publicação científica pelo Instituto Nacional de Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável da França (IRD, FUN-MOOC, 2026). Cada conteúdo é baseado em diretrizes clínicas atuais e publicações médicas revisadas por pares.

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