Reconhecer os sintomas do melanoma cedo pode fazer a diferença entre um tratamento simples e rápido e um muito mais complexo. O melanoma é a forma mais grave de cancro de pele porque, ao contrário dos cancros de pele mais comuns, pode espalhar-se para outras partes do corpo se não for detetado a tempo. A boa notícia é que a maioria dos melanomas surge na pele, onde pode ser visto, e muitos são encontrados numa fase inicial — muitas vezes por pessoas que simplesmente repararam num sinal diferente dos restantes. Neste artigo vai aprender a identificar os sinais de alerta com a regra ABCDE, como os médicos diagnosticam e estadiam a doença, quais as análises ao sangue e biomarcadores que importam e em que momento, e como o tratamento do melanoma mudou nos últimos anos. O objetivo é fornecer informação clara e tranquilizadora, sem alarmar.
O que é o melanoma?
O melanoma é um cancro que tem origem nos melanócitos, as células que produzem melanina, o pigmento que dá cor à pele. Como os melanócitos se encontram principalmente na pele, a maioria dos melanomas surge aí, mas podem ocasionalmente desenvolver-se no olho, sob uma unha ou na mucosa da boca ou de outras superfícies internas. O melanoma representa uma pequena parte de todos os cancros de pele, mas é responsável pela maioria das mortes por cancro de pele devido à sua capacidade de se espalhar, ou metastizar, se não for tratado.
Nem todos os melanomas têm o mesmo aspeto. Conhecer os principais padrões ajuda a perceber por que razão os sinais de alerta podem variar de pessoa para pessoa.
Os principais tipos de melanoma
- O melanoma de extensão superficial, a forma mais comum, que tende a crescer para fora ao longo da pele antes de crescer em profundidade.
- Melanoma nodular, uma lesão de crescimento mais rápido, frequentemente elevada e firme, que pode ser escura ou, menos frequentemente, desprovida de pigmentação.
- Melanoma lentigo maligno, que geralmente surge na pele danificada pelo sol em adultos mais velhos, como na face.
- Melanoma acral lentiginoso, que se desenvolve nas palmas das mãos, nas plantas dos pés ou sob as unhas, podendo ocorrer em pessoas de qualquer tom de pele.
Sintomas do melanoma: os sinais de alerta ABCDE
A ferramenta mais útil para reconhecer os sintomas do melanoma em casa é a regra ABCDE. Cada letra aponta para uma característica mais comum no melanoma do que num sinal comum. Uma mancha não precisa de apresentar todas as características para merecer atenção, e qualquer alteração nova ou em crescimento vale uma opinião profissional.
| Sinal | O que observar |
|---|---|
| A — Assimetria | Uma metade da mancha não corresponde à outra metade. |
| B — Bordos | Os bordos são irregulares, recortados, dentados ou difusos, em vez de lisos. |
| C — Cor | Várias tonalidades numa só mancha: castanho, preto, bege e, por vezes, vermelho, branco ou azul. |
| D — Diâmetro | Maior do que cerca de 6 milímetros, aproximadamente a largura da borracha de um lápis, embora os melanomas possam ser mais pequenos. |
| E — Evolução | Qualquer alteração ao longo de semanas ou meses no tamanho, forma, cor ou relevo, ou novo prurido, sangramento ou formação de crostas. |
Outros sinais de alerta
Os dermatologistas também estão atentos ao sinal do “patinho feio”: um sinal que simplesmente parece diferente dos outros sinais da pessoa. Uma mancha nova na idade adulta, uma ferida que não cicatriza, uma faixa escura sob uma unha da mão ou do pé, ou uma alteração num sinal de longa data merecem todos avaliação. Lesões benignas também podem ter um aspeto preocupante. Para perceber como uma mancha benigna comum pode ser confundida com cancro, leia a nossa comparação entre queratose seborreica e melanoma.
Quando consultar um médico
Marque uma consulta com um médico ou dermatologista se notar algum dos seguintes sinais:
- Um sinal ou mancha que está a mudar de tamanho, forma ou cor.
- Uma mancha nova que parece diferente das outras, especialmente após os 30 anos.
- Uma mancha que coça, sangra, supura ou não cicatriza.
- Uma faixa escura sob uma unha que não consegue explicar por uma lesão.
- Qualquer lesão que o preocupe, mesmo que não corresponda claramente ao padrão ABCDE.
O que causa o melanoma e quem tem maior risco?
O melanoma desenvolve-se quando os melanócitos sofrem danos genéticos que lhes permitem crescer de forma descontrolada. A principal causa modificável é a radiação ultravioleta, ou UV, proveniente do sol e das camas de bronzeamento. De acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças e a Academia Americana de Dermatologia, proteger a pele da radiação UV é a forma mais eficaz de reduzir o risco.
Fatores de risco a conhecer
- Queimaduras solares repetidas, especialmente queimaduras com bolhas na infância.
- Utilização de camas de bronzeamento artificial.
- Pele clara que queima facilmente, olhos claros e cabelo loiro ou ruivo.
- Um número elevado de sinais (50 ou mais) ou vários sinais atípicos.
- Historial pessoal ou familiar de melanoma.
- Sistema imunitário enfraquecido, por exemplo após um transplante de órgão.
Os adultos mais velhos são os mais frequentemente diagnosticados, mas o melanoma é também um dos cancros mais comuns em adultos jovens, razão pela qual os sinais de alerta são importantes em todas as idades. Ter fatores de risco não significa que o melanoma seja inevitável, e muitas pessoas com melanoma apresentam apenas um ou dois desses fatores.
Como o melanoma é diagnosticado e estadiado
O diagnóstico do melanoma é um processo faseado que começa com a observação visual e termina com o microscópio. Nenhuma análise ao sangue pode confirmar ou excluir o melanoma; o diagnóstico é feito a partir de uma amostra do tecido suspeito.
Exame da pele e dermatoscopia
O médico começa por examinar a lesão e, frequentemente, toda a superfície cutânea. Muitos utilizam a dermatoscopia, um instrumento de ampliação com luz polarizada que revela padrões invisíveis a olho nu, melhorando a precisão diagnóstica e reduzindo procedimentos desnecessários.
Biópsia e histopatologia
Se uma lesão for suspeita, o passo seguinte habitual é a biópsia, que consiste geralmente na remoção completa da lesão com uma margem de pele sã. Um anatomopatologista examina-a depois ao microscópio para confirmar o melanoma e avaliar características fundamentais, incluindo a espessura de Breslow (a profundidade a que o melanoma penetra na pele) e a presença ou ausência de ulceração. Estes dados determinam o estadio e o plano de tratamento.
Biópsia do gânglio sentinela e imagiologia
Para melanomas com espessura superior a determinado limiar, os médicos podem analisar o gânglio sentinela — o primeiro gânglio linfático para o qual a área drena — para verificar se as células começaram a disseminar-se. Exames de imagiologia como ecografia, TC, PET-TC ou RM estão geralmente reservados para melanomas mais espessos ou quando se suspeita de disseminação, e não para lesões finas e precoces. O estadiamento combina a espessura do tumor, a ulceração, o estado dos gânglios linfáticos e, nos casos avançados, os resultados das análises ao sangue.
Análises ao sangue e biomarcadores no melanoma
As pessoas perguntam frequentemente qual é a análise de sangue que deteta o melanoma. A resposta honesta é que nenhuma o faz por si só, e o melanoma não tem nenhuma análise de rastreio de rotina como acontece com alguns cancros que são acompanhados através de um marcador proteico. Para perceber o que estes marcadores podem e não podem fazer, consulte o nosso artigo explicativo sobre marcadores tumorais. Em vez disso, análises específicas de sangue e tecidos têm o seu lugar em momentos concretos, principalmente para avaliar o prognóstico, orientar o tratamento ou monitorizar a doença avançada.
| Exame | O que avalia | Quando costuma ser relevante |
|---|---|---|
| a LDH (lactato desidrogenase) | Uma enzima geral presente no sangue que pode aumentar quando os tecidos estão sob stress. | Melanoma avançado (estadio IV), como marcador de prognóstico integrado na estadiação. |
| S100B | Uma proteína que tende a acompanhar a quantidade de melanoma no organismo. | Prognóstico e monitorização em alguns centros, principalmente na Europa. |
| Teste de mutação BRAF | Uma alteração genética no tecido tumoral, mais frequentemente num ponto denominado V600. | Doença avançada ou de risco mais elevado, para decidir se pode ser utilizada terapêutica dirigida. |
| ADN tumoral circulante (ctDNA) | Pequenos fragmentos de ADN tumoral libertados para a corrente sanguínea. | Utilização emergente na monitorização do melanoma avançado; não é uma análise de rastreio. |
LDH: um marcador de prognóstico na doença avançada
A lactato desidrogenase é uma enzima presente em muitos tecidos, pelo que não é específica do melanoma. No melanoma avançado, porém, um nível elevado de LDH está associado a um prognóstico mais reservado e faz parte formalmente da classificação da doença em estadio IV. É utilizada para ajudar a avaliar o prognóstico e acompanhar a evolução da doença, e não para detetar o melanoma numa fase inicial. Para saber como esta enzima é medida e reportada, leia o nosso guia sobre a análise de sangue LDH.
S100B: acompanhamento da carga tumoral
A S100B é uma proteína que frequentemente aumenta à medida que a quantidade de melanoma no organismo cresce. Em alguns países, é medida para ajudar a estimar o prognóstico e a monitorizar os doentes ao longo do tempo. É um marcador de apoio e não um marcador diagnóstico, e a sua utilização varia de centro para centro.
Teste de mutação BRAF: uma chave para o tratamento
Cerca de metade dos melanomas cutâneos apresenta uma mutação num gene chamado BRAF, mais frequentemente uma alteração conhecida como V600. Este teste é realizado no tecido tumoral, e não no sangue, e é importante porque abre a porta à terapêutica dirigida. Conhecer o estado do BRAF num melanoma avançado ajuda a equipa a escolher entre as diferentes opções de tratamento.
ADN tumoral circulante: a biópsia líquida emergente
O ADN tumoral circulante é constituído por pequenos fragmentos de ADN que um tumor liberta para a corrente sanguínea. A sua medição, por vezes designada biópsia líquida, é uma área de investigação em rápida evolução, com o objetivo de detetar mais cedo o regresso de um melanoma e de avaliar a eficácia do tratamento. Estas biópsias líquidas recorrem à mesma tecnologia que está na base de ferramentas de rastreio mais recentes; para uma visão mais abrangente, leia a nossa visão geral sobre análises de sangue para deteção precoce de múltiplos cancros. Alguns cancros são monitorizados através de um marcador proteico no sangue, embora o melanoma não dependa de nenhum atualmente; para perceber como funciona essa abordagem, consulte o nosso artigo sobre a análise de sangue CEA.
Como se trata o melanoma
O tratamento depende muito do estadio. O melanoma precoce que não se disseminou é habitualmente tratado e curado apenas com cirurgia, enquanto o melanoma avançado requer um conjunto de opções terapêuticas que se expandiu consideravelmente na última década.
Cirurgia
A cirurgia é o tratamento de eleição para o melanoma detetado numa fase inicial. O cirurgião remove o melanoma juntamente com uma margem de pele saudável, num procedimento designado excisão local alargada. Quando indicada, realiza-se em simultâneo uma biópsia do gânglio sentinela para verificar se existe disseminação precoce.
Imunoterapia
A imunoterapia ajuda o sistema imunitário a reconhecer e a combater as células do melanoma. A principal classe, denominada inibidores dos pontos de controlo imunitário, inclui medicamentos que bloqueiam o PD-1 (como o pembrolizumab e o nivolumab) e um medicamento que bloqueia o CTLA-4 (ipilimumab), por vezes administrados em combinação. De acordo com o National Cancer Institute, estes medicamentos transformaram o prognóstico de muitas pessoas com melanoma avançado.
Terapia dirigida
Para os melanomas que apresentam a mutação BRAF V600, a terapia dirigida pode desativar o sinal de crescimento defeituoso. Estes tratamentos combinam um inibidor de BRAF (como o dabrafenib ou o vemurafenib) com um inibidor de MEK (como o trametinib) para atuarem de forma mais eficaz e duradoura em conjunto. É por isso que o teste BRAF é realizado antes de se optar por esta via.
Radioterapia e cuidados de suporte
A radioterapia pode ser utilizada em situações específicas, como no tratamento do melanoma que se disseminou para o cérebro ou para aliviar sintomas. Durante a imunoterapia ou a terapia dirigida, as equipas monitorizam análises de rotina; para perceber o que esses valores avaliam, leia o nosso guia sobre o hemograma completo. Os cuidados incluem também a gestão dos efeitos secundários e o apoio ao bem-estar geral.
Reduzir o seu risco: prevenção e acompanhamento
Como a exposição aos raios UV é a principal causa modificável, a proteção solar é o pilar da prevenção. A Academia Americana de Dermatologia recomenda procurar sombra, usar roupa protetora e um chapéu de abas largas, e aplicar um protetor solar de amplo espectro com FPS 30 ou superior, evitando completamente o bronzeamento artificial em cabine.
Os autoexames regulares da pele ajudam-no a conhecer o que é normal para si, de modo a que qualquer alteração se destaque. Muitos clínicos sugerem verificar a pele mensalmente e consultar um profissional para um exame dermatológico com base no seu risco pessoal. Uma proteção solar cuidadosa raramente causa problemas de vitamina D, mas se estiver preocupado com os seus níveis, leia o nosso guia à análise de vitamina D no sangue. Detetado e tratado precocemente, o melanoma é muito frequentemente curável; o prognóstico torna-se mais sério quando se alastra, o que é precisamente a razão pela qual detetar alterações cedo é tão valioso.
Últimos avanços científicos no melanoma
A investigação sobre o melanoma avança rapidamente, e várias descobertas recentes estão a transformar os cuidados prestados. Os pontos abaixo estão simplificados para o leitor geral, e nenhum deles substitui o conselho da sua própria equipa de saúde.
Imunoterapia antes da cirurgia
Para o melanoma que atingiu os gânglios linfáticos próximos mas que ainda pode ser removido, um ensaio clínico de 2024 concluiu que administrar imunoterapia antes da cirurgia — uma abordagem designada tratamento neoadjuvante — manteve mais pessoas sem cancro durante mais tempo do que administrá-la apenas após a cirurgia. O que isto significa para si: o momento da imunoterapia, e não apenas o medicamento, está a tornar-se parte da discussão no melanoma em estadio III.
Análises ao sangue para vigiar o regresso da doença
Os investigadores estão a aperfeiçoar os testes de DNA tumoral circulante para detetar uma recidiva do melanoma mais cedo do que as imagens conseguem, e para mostrar mais rapidamente se um tratamento está a funcionar. O que isto significa para si: estas biópsias líquidas são ainda utilizadas principalmente em investigação e centros especializados, e não em rastreio de rotina, mas apontam para um futuro em que uma simples análise ao sangue poderá ajudar a monitorizar o melanoma avançado.
Melhores formas de avaliar o prognóstico
Para além do teste LDH há muito estabelecido, os cientistas estão a estudar marcadores sanguíneos adicionais — incluindo proteínas e sinais imunitários — para prever com maior precisão o comportamento de cada melanoma. O que isto significa para si: atualmente, o LDH e os testes BRAF em tecido continuam a ser os pilares principais, enquanto os marcadores mais recentes ainda estão a ser validados e ainda não fazem parte dos cuidados do dia a dia.
Glossário
| Termo | Definição |
|---|---|
| Melanócito | Uma célula da pele que produz melanina, o pigmento que dá cor à pele, ao cabelo e aos olhos. O melanoma tem origem nestas células. |
| Regra ABCDE | Uma lista de verificação simples (Assimetria, Bordos, Cor, Diâmetro, Evolução) para identificar sinais que possam ser melanoma. |
| Dermatoscopia | Examinar a pele com uma lupa especial e luz para ver padrões invisíveis a olho nu. |
| Biópsia | Remover uma amostra de tecido, ou toda a lesão, para ser examinada ao microscópio. |
| Espessura de Breslow | Uma medição da profundidade a que um melanoma cresceu na pele, utilizada para ajudar a determinar o estadio. |
| Biópsia do gânglio sentinela | Um teste ao primeiro gânglio linfático para o qual a área drena, para verificar se há disseminação precoce. |
| Metástase | A disseminação do cancro do local onde se originou para outras partes do corpo. |
| Lactato desidrogenase (LDH) | Uma enzima sanguínea utilizada como marcador de prognóstico no melanoma avançado, não como teste de rastreio. |
| Mutação BRAF | Uma alteração genética no tumor que pode ser tratada com medicamentos específicos; encontrada em cerca de metade dos melanomas cutâneos. |
| ADN tumoral circulante (ctDNA) | Fragmentos de ADN tumoral no sangue, medidos numa biópsia líquida para ajudar a monitorizar a doença. |
Perguntas frequentes
Como é o melanoma em fase inicial?
O melanoma inicial é muitas vezes uma mancha plana ou ligeiramente elevada que não respeita as regras ABCDE: pode ser assimétrico, ter bordos irregulares, apresentar mais do que uma cor, ou simplesmente estar a mudar. Pode ser pequeno, pelo que o tamanho por si só não é tranquilizador. Muitos melanomas iniciais são indolores, razão pela qual o aspeto e a evolução importam mais do que o desconforto. Se uma mancha parecer diferente dos seus outros nevos ou estiver a mudar, consulte um médico em vez de esperar por sintomas.
Uma análise ao sangue consegue detetar melanoma?
Nenhuma análise ao sangue consegue diagnosticar melanoma, e não existe nenhum rastreio sanguíneo de rotina para esta doença. O diagnóstico é feito através de uma biópsia da lesão cutânea suspeita. As análises ao sangue têm um papel de apoio: a LDH ajuda a avaliar o prognóstico na doença avançada, a S100B é utilizada em alguns centros para monitorizar a carga tumoral, e o ADN tumoral circulante é uma forma emergente de acompanhar o melanoma avançado. Estes testes informam o tratamento quando o melanoma já é conhecido, em vez de o detetar em primeiro lugar.
Qual é a diferença entre um nevo e um melanoma?
Um nevo comum é geralmente pequeno, de cor uniforme, redondo ou oval, com bordos lisos, e mantém-se estável durante anos. O melanoma tende a ser assimétrico, multicolorido, com bordos irregulares, maior, ou a mudar ao longo do tempo. O “patinho feio” que se destaca dos outros nevos é uma pista útil. Como algumas lesões benignas podem imitar o melanoma, um dermatologista dá a resposta definitiva, muitas vezes com dermoscopia e, se necessário, uma biópsia.
Todos os doentes com melanoma precisam de fazer o teste BRAF?
Não necessariamente. O teste BRAF é geralmente realizado em melanomas avançados ou de maior risco, uma vez que o seu principal objetivo é determinar se a terapia dirigida é uma opção. O teste é feito em tecido tumoral obtido por biópsia, não numa amostra de sangue. Muitas pessoas com melanoma fino e inicial, completamente removido por cirurgia, não precisam de fazer o teste BRAF. O seu oncologista recomenda-o quando o resultado pode alterar o plano de tratamento.
O melanoma é sempre fatal?
Não. Quando o melanoma é detetado e removido precocemente, é muito frequentemente curado, e a maioria das pessoas diagnosticadas numa fase inicial evolui bem. O risco aumenta quando o melanoma cresce em profundidade ou se dissemina para os gânglios linfáticos ou outros órgãos, razão pela qual a deteção precoce é tão importante. Mesmo no melanoma avançado, a imunoterapia moderna e a terapia dirigida melhoraram consideravelmente os resultados em comparação com há uma década.
Com que frequência devo examinar a minha pele?
Muitos dermatologistas sugerem um autoexame mensal para que se familiarize com os seus próprios sinais e consiga notar alterações. Use um espelho ou peça ajuda para verificar zonas de difícil acesso, como as costas, o couro cabeludo e as plantas dos pés. A frequência com que necessita de uma consulta dermatológica profissional depende dos seus fatores de risco, pelo que pessoas com muitos sinais, pele clara ou história pessoal ou familiar de melanoma podem ser aconselhadas a ser observadas com maior regularidade.
Fontes
- National Cancer Institute — Melanoma Treatment (PDQ), Patient Version — cancer.gov
- American Academy of Dermatology — Melanoma: overview and warning signs — aad.org
- American Cancer Society — Signs and Symptoms of Melanoma Skin Cancer — cancer.org
- Tasdogan et al. — Cutaneous melanoma — Nature Reviews Disease Primers, 2025 — doi.org/10.1038/s41572-025-00603-8
- Boutros et al. — The treatment of advanced melanoma: current approaches and new challenges — Critical Reviews in Oncology/Hematology, 2024 — doi.org/10.1016/j.critrevonc.2024.104276
- Castellani et al. — BRAF mutations in melanoma: biological aspects, therapeutic implications, and circulating biomarkers — Cancers, 2023 — doi.org/10.3390/cancers15164026
- Blank et al. — Neoadjuvant nivolumab and ipilimumab in resectable stage III melanoma — New England Journal of Medicine, 2024 — doi.org/10.1056/NEJMoa2402604
- Eroglu et al. — Circulating tumor DNA-based molecular residual disease detection for treatment monitoring in advanced melanoma — Cancer, 2023 — doi.org/10.1002/cncr.34716
- Kaleem et al. — Imaging and laboratory workup for melanoma — Oral and Maxillofacial Surgery Clinics of North America, 2022 — doi.org/10.1016/j.coms.2021.11.004
- Ding et al. — Biomarcadores de prognóstico do melanoma cutâneo — Photodermatology, Photoimmunology & Photomedicine, 2022 — doi.org/10.1111/phpp.12770
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O melanoma recorda-nos o quanto uma única alteração na pele, ou um único valor num relatório de análises, pode ser importante. Se a investigação de um melanoma incluir análises ao sangue como a LDH, um hemograma completo ou um teste emergente de ADN tumoral circulante, os resultados podem ser difíceis de interpretar em papel. Para perceber o que significam os valores, pode consultar o nosso guia para ler resultados de análises ao sangue, e o AI DiagMe pode ajudá-lo a compreender o que os seus valores significam numa linguagem simples. É uma ferramenta para o ajudar a entender os seus resultados, não uma forma de diagnosticar melanoma, e não substitui o seu médico ou dermatologista.



